O Profissional Contábil assumiu uma posição estratégica nas empresas, o que implica dizer que ele atua colado ao empresário. Os balanços e demonstrativos elaborados por ele fazem parte das tomadas de decisões, mas isso só tem efeito prático quando o diálogo entre as partes é claro, o que nem sempre acontece.
A linguagem do Contador, aquele “contabilês” difícil, muitas vezes se apresenta como uma barreira intransponível ao empresário. “Não é algo gratuito. É que existem normas nacionais e internacionais que precisam ser seguidas”. O que não impede o Contador de interpretá-las para o seu cliente. É preciso lembrar que um balanço ou um relatório, não pertence ao Contador, mas sim à empresa contratante.
A elaboração de balanços e relatórios mais fáceis de serem entendidos, com uso de linguagem coloquial, é um caminho para melhor entendimento. Por outro lado alguns termos básicos, usados quase que instintivamente pelo Contador, também podem e devem fazer parte do vocabulário do empresário. Termos que ajudarão o empresário a assimilar mais e melhor as informações apresentadas pelo seu Contador. Essa lista pode crescer com sua ajuda.
BALANÇO PATRIMONIAL – É uma fotografia que mostra a situação da empresa em determinada data. De um lado do Balanço aparece tudo o que a empresa detém que possui valor econômico (os bens), como seus equipamentos instalados, seus móveis, suas marcas, entre outros. Aparecem também os recursos que a empresa ainda tem para receber (os direitos), como valores depositados ou aplicados em instituições financeiras, ou valores decorrentes de vendas a prazo e por aí vai. Do outro lado do balanço aparecem os valores que a empresa tem de pagar a terceiros (as obrigações), como salários, aluguel, fornecedores, impostos e outros. Os bens e direitos formam o ATIVO da empresa, as obrigações, o PASSIVO.
PATRIMONIO LÍQUIDO – Consiste da diferença, positiva ou negativa, entre o ativo e o passivo da empresa. Por exemplo, se a empresa tem um ativo de R$ 1 milhão e um passivo de R$ 300 mil, seu patrimônio será de R$ 700 mil. De maneira simplificada, são os resultados simplificados dela empresa ao longo de sua existência, que podem ser lucros ou prejuízos. Entram nessa conta, por exemplo, o capital social, reservas, ajustes patrimoniais e ações em tesouraria.
CAPITAL SOCIAL – É a quantia de recursos necessária para viabilizar o inicio das atividades de uma empresa enquanto ela ainda não possui faturamento suficiente para arcar com seus gastos. Os recursos que compõem o capital social podem ser em espécie ou na forma de bens.
A RECOLHER – Em geral assume o mesmo sentido, mas para o caso de tributos, os tributos a recolher são aqueles apurados até a data de fechamento do Balanço Patrimonial ou balancete mensal, sendo que seu vencimento e respectivo pagamento deverão ocorrer em data subsequente. Os tributos a recolher, fazem parte do Passivo da empresa.
A RECUPERAR – Diz-se para aqueles tributos embutidos nos preços das mercadorias ou serviços adquiridos pela empresa e que poderão transformar em crédito para abatimento dos tributos a recolher. Os saldos dessas contas fazem parte do Ativo da empresa
CUSTOS – São valores aplicados na produção de bens ou serviços. Aqueles que podem ser facilmente atribuídos à produção de algum bem ou serviço são chamados custos diretos, a exemplo dos gastos com matéria prima. Já aqueles que não podem ser diretamente relacionado a produção de um determinado bem ou serviço são chamados de custos indiretos como, por exemplo, gastos com energia elétrica.
DESPESAS – São os gastos que estão relacionados direta ou indiretamente com a produção de bens ou serviços (estes seriam os custos) mas são necessários para a manutenção das áreas administrativas e de vendas da empresa. Aqui entram os salários, material de escritório, investimentos em publicidade, entre outros. Também são consideradas despesas os dispêndios financeiros, tais como juros, tarifas e demais encargos do financiamento.
CUSTOS OU DESPESAS FIXAS – Aqueles que incorrem independentemente da produção ou do faturamento ter ou não acontecido. Por exemplo, aluguel, energia elétrica, comunicação, salários da administração e outros.
CUSTOS E DESPESAS VARIÁVEIS – São aqueles que estão atrelados à produção ou faturamento da empresa, tais como: comissões, gastos com embalagens, entre outros.
A vocês empresários, digo-lhes com todos os esses e erres, como Contador com quase meio século de atividade nestes Estados e em outros, conversem repetidamente com seus Contadores, estreitando os laços profissionais, que os únicos beneficiados são vocês, em todos os sentidos.
* Wilson Marques Barbosa – É Contador, Consultor e Auditor Independente, Docente aposentado da UFMS, Membro da Academia Maçônica de Letras do Estado de Mato Grosso do Sul (Cadeira Vitalícia Nº 37). Foi o primeiro Presidente do CRC/MS – Conselho Regional de Contabilidade de MS (gestão 1986/1989).
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